No Carnaval de 2011 viajamos eu Ricássia e Vinicius. Objetivo: fugir do carnaval de Recife e Olinda e fazer turismo, saindo no sábado e voltando na terça-feira gorda.
Saímos de avião de Recife para Belo Horizonte. Depois de ônibus até São João d´El Rei. E depois de carro até Tiradentes. Ufa!
Como dizem que tudo na vida tem um lado bom e um lado ruim, vou misturar as coisas aqui no relato, tentando brincar com as situações.
Na rodoviária de BH imaginem uma multidão excitadíssima (mentalmente) num sábado de carnaval. Resultado: nós três nos perdemos, o celular de um estava descarregado, o outro não tinha crédito...
Até que chegou Irina, austríaco-mineira, amiga de Vinicius e gentil cicerone. Finalmente o ônibus! E Irina com a sua calma!
O sotaque mineiro é engraçado: pegamos o ônibus das 11 horas e ainda em BH ele parou e um pedestre perguntou:
- Qual o próximo?
- E o ajudante de motorista: Onziquinz, onzimeia!
Analisando depois com Vinicius, chegamos à conclusão que os mineiros falam em F#M (Fá sustenido maior). Sem críticas.
Pegamos um engarrafamento na BR que dava vontade de descer e pegar carona na outra pista. Sem falar na fome lupina!
Levamos doze horas: o vôo saiu de Recife às 5 da manhã e chegamos à Pousada do Curió no bairro Canjica às 5 da tarde.
O nome Pousada do Curió foi uma homenagem de Roque (o proprietário) ao seu avô que morava na casa e “não gostava de trabalhar não, caçava curiós e vendia”, claro que tudo em Fá#M!
O bairro tem o nome de Canjica porque na época do ouro, as pepitas eram do tamanho de caroços de milho, daí...
Foram três dias de chuva, o que não impediu que uma turma de jovens de São Paulo na rua da Pousada tomassem TODAS as cervejas. Eles colocavam o som dos carros e curtiam o Carnaval ali mesmo!
Nas ruas as pessoas mais simples que conhecemos sempre eram muito educadas: Bom dia, Boa tarde. Isso é muito bom na vida (não acontece por aqui, infelizmente).
Não notei polícia e nem sinais de trânsito: o que isso significa? Reflitam...
No domingo fomos almoçar no Tempero da Ângela em Bichinho – Prados.
Dois diferenciais no restaurante: você mesmo se serve nos panelões do fogão e tem tanta gente esperando que Ângela colocou uma sala de espera ao lado, servindo cachaça e cerveja. E tome mulher bonita, de todas as idades!
E chegava mais gente do que saía.
Vinicius almoçou, Ricássia almoçou e eu também, mas Irina estava ainda na metade: haja anti-estresse!
Eu comi Tutu à mineira, arroz, farofinha com torresmo e Lombinho de porco no fogão de lenha. Os doces então: queijo com goiabada cascão. Hummm... Saí feliz!
Irina nos levou ao centro histórico: visitamos igrejas, a casa onde Tiradentes fazia reuniões com os Inconfidentes, o ateliê de Lyria e aqui eu escrevo: Lyria é uma figura extremamente simpática, abrindo a sua casa para vermos fotos, seus gatos e a cadelinha Chica. Quase que a gente não saia mais do ateliê. Até parece que não há tempo e nem relógio!
Conhecemos também Paula, argentina mineira, que gosta de receber pessoas via Turismo de sofá (já roubaram alguns cedês e devedês, mas ela continua...).
Na ida ao aeroporto, a pista me deixou feliz porque todos os viadutos por onde passamos têm nomes de escritores mineiros!
A volta para Recife foi mais tranquila, a não ser pelo “aeromoço” que pediu que eu mudasse de lugar, já que estávamos na saída de emergência:
- O senhor sabe usar a saída de emergência?
- Não.
- Então o senhor mude de lugar.
- Por quê? Eu não sabia que ia ficar aqui!
- Se o senhor quiser eu lhe ensino como usar a saída...
- Então ensine, ora.
- O senhor puxa aqui, sai de lado, gira o tronco e desce, ajudando crianças e jovens.
- Agora sim, eu aprendi (tudo mentira!).
Quando eu imaginei a cena, girando o tronco com minha coluna sofrida, relaxei: seria quase impossível eu fazer tudo aquilo e pular do avião na terra ou sei lá onde.
Para resumir e como se diz aqui: pense numa viagem boa!
Agora bom mesmo é chegar em casa!
Abraços e cheiros a todos que conhecemos, com uma saudade sincera.
sábado, 7 de maio de 2011
De Recife a Tiradentes
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